O Mal (ou Moléstia) de Kienbock é uma doença que ocorre quando por razões ainda desconhecidas o osso semilunar, localizado no punho, tem a sua fonte de alimentação sanguínea diminuída ou interrompida, causando a necrose do osso (o nome técnico é “necrose avascular do semilunar”). Não é uma condição que ameace a vida, porém a muda drasticamente.
Descrita pela primeira vez em 1910 pelo médico austríaco Robert Kienbock, a doença é considerada muito incomum, afetando XXX % da população, e em 70% dos casos ocorre na mão dominante. Não há um consenso sobre a causa – ou causas – que levam o semilunar a sofrer da falta de vascularização. Há casos em que existe histórico de trauma da região do punho e casos em que a primeira queixa é justamente quando se trata da doença. Entretanto, pode-se observar que na maioria dos casos o paciente apresenta “variação ulnar negativa”, ou seja, a ulna não é alinhada com o rádio na altura do punho, e acredita-se que essa condição leva a um aumento da pressão exercida no osso semilunar causando a falta de irrigação sanguínea.
As manifestações clínicas comuns são:
- Forte dor na região ao redor do punho (parecida com a dor quando há uma torção da região);
- Limitação dos movimentos do punho, principalmente ao flexionar a mão para qualquer lado, devido à dor;
- Perda de força na mão;
- Inflamação dos tendões da mão, como a síndrome de Quervain (por vezes a síndrome mascara a doença de Kienbock e prejudica o diagnóstico);
A doença de Kienbock é progressiva, isto é, o semilunar tende a se deteriorar com o passar do tempo – especialmente quando não tratado corretamente. O progresso é classificado nos seguintes estágios (classificação de Linchtman):
- Estágio 1: O semilunar já sofre da falta de vascularização, porém apresenta-se sem alterações no formato e com densidade normal. Pode haver uma fraca dor no punho, e o diagnóstico só pode ser realizado através de um exame de ressonância magnética (que indica a falta de vascularização).
- Estágio 2: O semilunar perde sua densidade e se torna mais frágil. A partir desse momento é possível detectar a mudança da densidade através de um exame de raios-x.
- Estágio 3a: O semilunar está necrosado e começa a fragmentar. Partes do osso morto se soltam causando muita dor e grande limitação dos movimentos. Não há alteração nos ossos vizinhos, como o escafóide;
- Estágio 3b: O semilunar está completamente fragmentado e afeta os outros ossos do punho, causando-os pequena alteração física – entretanto eles ainda se posicionam no local original.
- Estágio 4: É o estágio final da doença, chamado de artrose do punho. Muito pouco é possível ser feito para que os movimentos do punho possam retornar. O osso semilunar já não existe, e os demais ossos migraram do seu local de origem com o espaço deixado pelo osso que se “desintegrou”.
O diagnóstico e os tratamentos são diversos e variam de acordo com o estágio.
